Como é viver com doença inflamatória intestinal (Crohn) e ao mesmo tempo ser médico?
RECEBI O DIAGNÓSTICO DEDOENÇA DE CROHN

O diagnóstico que transformou minha vocação na medicina
Aos 19 anos, ainda no início da faculdade de medicina, recebi o diagnóstico de Doença de Crohn. Naquele momento, o impacto foi profundo: o choque imediato veio acompanhado de medo e de muitas incertezas. Lembro-me claramente do receio de como uma doença inflamatória intestinal crônica impactaria minha rotina, meus planos de vida e o sonho de me tornar médico.
Diante daquela nova realidade, decidi transformar a apreensão em dedicação. Ao longo de toda a graduação, debrucei-me sobre a literatura médica para compreender cada detalhe dos mecanismos da condição que me afetava. Quanto mais eu compreendia a fisiopatologia e os caminhos científicos das doenças inflamatórias intestinais, mais claro se tornava o meu propósito profissional.
“Conhecer a doença de dentro para fora me ensinou que o cuidado médico vai muito além do protocolo clínico: ele exige escuta, presença e parceria contínua.”
Minha trajetória de tratamento incluiu períodos desafiadores de crise ativa e fases consistentes de remissão sustentada. Com uma condução médica assertiva, disciplina terapêutica e acompanhamento rigoroso, aprendi na prática que é plenamente possível construir uma vida acadêmica, profissional e pessoal completa, com bem-estar e sem grandes limitações.
Essa vivência pessoal — de sentir no próprio corpo a dor, os sintomas e as angústias do diagnóstico — é o que move minha atuação diária. Atender pessoas que enfrentam a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa não é apenas o meu campo de especialização; é um compromisso humano fundado em empatia genuína e na busca contínua pelas evidências científicas e condutas mais atualizadas da gastroenterologia.
Dr. Pedro Henrique Teles Prado
Gastroenterologista e Endoscopista